quinta-feira, 17 de novembro de 2011

LEITURA CRÍTICA: AS ANDANÇAS DO DIVINO

Por Marcelo Sena

Se a praça pública é pra ser aberta a todos e ser um espaço para o encontro, o Balé Popular do Recife aproveitou a grande oportunidade de usar esse espaço para narrar a história de "As Andanças do Divino", com suas muitas histórias entrelaçadas.

Feito para comemorar os 30 anos do Balé, o espetáculo traz sua escrita "brasílica" da dança para levar diversas história a partir da trajetória do mestre mamulengueiro Simão Madureira que sai do sertão rumo ao litoral, encenando a Paixão de Cristo com seus bonecos. Em sua estreia, o espetáculo tinha a duração de 2 horas, mas a versão apresentada na II Mostra de Artes Cênicas de Triunfo foi de 1 hora. Se o tempo pode favorecer uma apreciação mais imediata, já que não temos o hábito muito comum de assistirmos espetáculos maiores que 1 hora, ele também pode tornar a história um pouco confusa, e é o que acaba acontecendo nessa nova versão de "As Andanças do Divino". Como cada cena conta uma parte da história e isso vai tecendo o caminho de cada personagem, o corte de algumas cenas deixa um pouco difuso esse tecer, desfocando a narrativa.

Se em sua estreia poderíamos, mesmo que ainda um pouco confuso, perceber as narrativas sendo cruzadas e desenvolvidas, agora esse fator fragiliza um pouco o espetáculo, já que acabamos por perceber diversas cenas dançadas, mas algumas vezes, sem a referência de sua inspiração, aproximando um pouco de um de seus espetáculos de grande visibilidade que é o "Nordeste - A Dança do Brasil" (1987), onde eles apresentam, de uma forma quase didática, diversas danças populares a partir da dança brasílica (um novo método e estilo de dança construídos pelo Balé Popular do Recife), mas em "Nordeste" o que rege a apresentação é exclusivamente a apresentação dessas danças.

Levar arte aonde o povo está, é uma das grandes paixões do fundador e diretor do Balé Popular do Recife, André Madureira, e, ao ser apresentado em praça pública, isso fortaleceu imensamente o espetáculo. Bailarinos e técnicos super afiados para fazer de uma apresentação pública um grande momento de celebração.

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