Uma das grandes contribuições para dança em Pernambuco, com certeza é o Balé Popular do Recife. Com 34 anos na estrada, o Balé fez as danças tradicionais e os folguedos saírem de uma certa clandestinidade quando se referia à sua encenação nos palcos da cidade e no cotidiano de muitas pessoas da área urbana.
Dentro dessas contribuições está a sua entrada na formação de bailarinos que até a década de 70 acontecia (em termos profissionais) exclusivamente com danças clássicas, modernas e jazz. Com essa nova geração de bailarinos formados pelo Balé Popular, fazer dança deixou de ser sinônimo de fazer dança clássica.
Em "Brincadeiras de Roda e Estórias e Canções de Ninar" (1987 - mesmo ano em que criaram Nordeste: A Dança do Brasil), do grupo infantil do Balé Popular do Recife, a construção de uma ópera se dá com todos os elementos tão presentes nas tradições populares, com o ator/dançarino/cantor transitando nessas linguagens sem precisar enunciar que "mudou de função".
A grande quantidade de crianças no elenco dá uma alegria de saber que várias delas, mesmo que não venham a entrar na dança profissionalmente, estão tendo uma formação artística, não apenas como bailarinos, mas também como apreciadores, ao desenvolver sua sensibilidade para as manifestações inspiradas na cultura tradicional.
O trabalho de voz e corpo faz do espetáculo uma ótima oportunidade de explorar muitas potencialidades dessas crianças, mas, às vezes, a gravação da voz (que é utilizada em playback) diminui a força que poderia acontecer com a voz utilizada ao vivo (mesmo com o uso de microfones). Apesar de saber que aumentaria imensamente o custo de um espetáculo como este, considero esse recurso como ponto que fragiliza o espetáculo.
Com a maestria do Balé Popular e de seu diretor André Madureira, o espetáculo cumpre uma função muito importante na formação de novos bailarinos.
Com a indicação de ser um espetáculo infantil, percebo que talvez a duração do espetáculo e a dinâmica nas transições de cena podem ter perdido um pouco de sua força, talvez pela distância temporal entre a época de sua estreia (1987) e o tempo presente.
Um espetáculo que nos traz um olhar de que fazer dança, ainda criança, pode enriquecer mais o nosso universo imaginário e nossas potências corporais. Parabéns ao Balé por manter esse espaço para a formação em dança de crianças e adolescentes.
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